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NEGóCIOS

Comércio X Covid

O presidente do Sincomércio, Edmilson Ladeira, conversa com a gente sobre os impactos do fechamento, prejuízos e o futuro do comércio em Itaperuna

Edmilson Ladeira tem 58 anos e há 10 está à frente do Sincomércio (Sindicato do Comércio), instituição ligada à Fecomércio, que trabalha em prol dos interesses dos comerciantes e seus negócios. Embora não seja unanimidade entre todos os proprietários de lojas e afins, ele segue firme na defesa do ramo em Itaperuna.

E é durante a pandemia que ele vem ganhando destaque com o aumento da demanda de ações e cobranças com as quais convive diariamente na queda de braços com a prefeitura entre manter o comércio aberto ou aumentar o isolamento. Desde que o comércio foi fechado no dia 20 de março até a sua reabertura parcial no dia 30 de abril, ele não teve um dia sequer de descanso e paz. Foram 40 dias ininterruptos de cobranças e até hoje ele vive a expectativa da possibilidade da volta do fechamento e até mesmo uma atitude mais drástica, como a de um Lockdown.

Conversamos com ele nesta semana num bate papo na sua padaria (Padaria Ita), aonde ele chega às 3:30h da madrugada e durante boa parte da manhã recebe amigos comerciantes para troca de ideias a respeito do momento que a cidade vive.

Como que você recebeu o baque da pandemia e do fechamento do comércio de Itaperuna?

Foi difícil. Acho que a primeira coisa foi tomar consciência do que estava acontecendo. Logo em seguida foi pensar em como tocar nossos negócios e agir em relação aos funcionários também. Costumo conversar muito com os empresários, e um deles em especial é o Daniel Carvalho, da Taco. Ele é um cara muito sensato, com visão ampla. A gente comunga da mesma tese, que é a de que precisamos cuidar das pessoas, mas precisamos trabalhar também.

Porém, com a minha experiência, arrisco dizer que perdemos em torno de 40% dos postos de trabalho, isso incluindo os informais.

Qual foi o verdadeiro impacto no comércio de Itaperuna neste período?

O IFEC (Instituto Fecomércio) está trabalhando numa pesquisa ampla em todo o Estado do Rio para levantar dados concretos do impacto da pandemia no comércio das 92 cidades, mas ainda não temos nada fechado. Porém, com a minha experiência, arrisco dizer que perdemos em torno de 40% dos postos de trabalho, isso incluindo os informais. Percebo que devemos ter uma média, até agora, de 10% de empresas que simplesmente fecharam suas portas por não conseguirem dar conta das obrigações. Isso é muito desolador.

Como você tem percebido a angústia do comerciante?

Está todo mundo desolado, angustiado. Ninguém esperava por isso. Todos comungam da ideia de que o último recurso seja demitir, mas chega um momento em que fica impossível não fazê-lo. O comércio tem uma função social e todos nós procuramos ampliar isso. Mas se formos falar em futuro próximo, percebo que muitos estão conscientes de que será necessário entender o novo mercado, o novo consumidor e principalmente esse mercado virtual. Quem não entrou no virtual será preciso entrar logo, de um jeito ou de outro. Outra coisa que venho percebendo é que muitos estão entendendo que precisam ficar mais próximos de seus clientes cativos, de manter um relacionamento mais efetivo.

Ninguém esperava por isso. Todos comungam da ideia de que o último recurso seja demitir, mas chega um momento em que fica impossível não fazê-lo.

Como você avalia as ações do Governo Federal na ajuda ao comércio durante esse período?

Acho que teve muito anúncio, muita proposta, mas, por enquanto, pouca efetividade. Existe muita burocracia e muitos bancos nem sabem como agir diante das medidas tomadas em Brasília. Mas estou apostando muito agora no PRONAMPE, que é o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, que foi aprovado através de MP e que vai facilitar a vida de muitos empresários com o Governo Federal avalizando boa parte dos empréstimos tomados nos bancos. Muitos empresários têm dificuldades para conseguir empréstimos por não terem como dar garantia, mas com o governo dando aval, vai ficar bem mais fácil. Tomara que dê certo. É preciso ratificar sempre que se o governo não ajudar, vão morrer muito mais empresas.

Posso ter mil discordâncias com o prefeito, mas achei a atitude dele corajosa ao peitar o Ministério Público, quando este opinou em fechar o comércio, adiou uma reunião sobre o assunto sem dar maiores explicações (…)

Se os casos aumentarem consideravelmente e o nosso sistema de saúde sofrer a possibilidade de colapsar, eu concordo com o lockdown.

Como você avalia a atitude do prefeito Marcus Vinícius diante do comércio de Itaperuna?

Não queria estar na pele dele neste momento. Posso ter mil discordâncias com o prefeito, mas achei a atitude dele corajosa ao peitar o Ministério Público, quando este opinou em fechar o comércio, adiou uma reunião sobre o assunto sem dar maiores explicações e deixou o prefeito numa saia justa com os comerciantes. Então ele optou por reabrir o comércio com algumas restrições. A situação dele nesse caso, entre balancear a economia e a saúde, é muito difícil.

Os casos de Covid estão aumentando na cidade (Até o fechamento desta matéria eram 167 casos confirmados e 4 mortes, segundo dados oficiais da prefeitura) e muitos atribuem isso à abertura das portas do comércio e o intenso fluxo de pessoas nas ruas.

Não vejo esse fluxo todo. É um fluxo pequeno, não gera tanta aglomeração como se gera proporcionalmente em frente às agencias da Caixa Econômica Federal, por exemplo. A gente tem que ser responsável com os funcionários e clientes, mantendo níveis toleráveis de pessoas e distanciamento dentro dos recintos, oferecendo álcool gel e mantendo a higiene constante, exigindo máscaras para adentrar o ambiente, tentando evitar o atendimento aos idosos neste momento, ou seja, tomando as precauções. É muito fácil para um servidor público ou aposentado ficar dentro de casa recebendo seu salário todo mês, mas é extremamente difícil pra nós manter o salário dos funcionários sem vendas. E se não tivermos vendas, não tem impostos. E sem imposto, daqui a pouco o governo não terá como pagar nem os que podem ficar em casa.

E se o prefeito precisar aplicar o tão temido Lockdown?

Se os casos aumentarem consideravelmente e o nosso sistema de saúde sofrer a possibilidade de colapsar, eu concordo com o lockdown. Mas reitero que quando se fala em lockdown, é para todos e não somente para alguns.

Quanto tempo você acredita que precisaremos para recuperar totalmente as forças do comércio de Itaperuna?

Arrisco dizer que vamos precisar de no mínimo uns seis meses para recuperar a partir do fim da pandemia.

Acredita que agora com o fechamento e as dificuldades as pessoas darão mais valor ao comércio da cidade?

Boa pergunta! Acredito que muita gente vai perceber como o comércio é importante para Itaperuna. O comércio virtual pode ser muito bom e necessário, mas sem um comércio físico vivo e pulsante a gente vira uma cidade fantasma. Isso ficou claro durante esse período em que tivemos que ficar de portas fechadas. E no mais, as pessoas precisam do encontro cara a cara, da conversa, do toque. Isso jamais irá mudar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 




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