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COMPORTAMENTO

Por mais versões de uma história

Bula simples pra evitar desinformação

Em Janeiro de 2014, fui a São Paulo participar de uma Conferência de Ensino de Língua Inglesa. Uma das oficinas apresentou uma palestra da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Ela tinha acabado de lançar “Americanah”, que foi aclamado pela crítica e mega elogiado por Barack Obama. Apesar de ser linda e ter um agradável sotaque britânico, o que ficou na minha mente e que desejo compartilhar com você é o tema da palestra: “o perigo da história única”.

Artigo de Laura Pinho, no Instagram (@laurafpinho)

 

Chimamanda relata que sempre leu e escreveu muito – desde criança. No entanto, ela lia apenas literatura britânica, que era ao que ela tinha acesso na Nigéria. Portanto, ela sempre escrevia sobre pessoas brancas, de olhos azuis que bebiam chá. Sua percepção de literatura e de mundo era restrita ao universo dos autores ingleses. Essa era a única história que ela conhecia.

Anos mais tarde, ela se mudou para os EUA para cursar faculdade. Sua colega de quarto ficou surpresa de uma mocinha da África saber falar Inglês e conhecer Mariah Carey. Obviamente, a colega não sabia que a Nigéria tinha sido colônia britânica e pensava que se tratava basicamente de uma selva habitada por bárbaros. Essa era sua história única sobre a Nigéria.

Ainda na faculdade, Chimamanda planejou uma viagem ao México, justamente durante uma crise de imigração que estava incendiando a mídia. Muito se falava sobre o comportamento reprovável dos mexicanos de fraudar e roubar documentos e atravessar a fronteira clandestinamente. Qual não foi sua surpresa ao chegar à Guadalajara e ver mexicanos passeando com a família, comendo em restaurantes e sendo gentis. Ela recorda ter ficado muito envergonhada com sua história única sobre os mexicanos.

O regionalismo da literatura britânica, o pouco conhecimento da colega de quarto, a restrita informação sobre os mexicanos – são todos exemplos de como uma história única pode ser perigosa. Quando nos informamos sobre algo, alguém ou algum lugar através dos olhos de uma única fonte nos permitimos ser influenciados e/ou enganados. Na melhor das opções, a informação será tendenciosa. Mas pode da mesma forma ser injusta ou preconceituosa. Conhecimento é importante demais para ser terceirizado à uma só fonte.

Em tempos de fake news e desinformação, me lembro sempre dessa palestra e me policio para não ser tragada pelo perigo da história única. É preciso conhecer fatos e versões. É imprescindível buscar fontes e olhares distintos.

Acho interessante Chimamanda dizer que ela era leitora desde os 3 anos e escritora desde os 7. Para você que me lê e tem filhos, deixo esse, se me permite, conselho: estimule a leitura desde cedo. Como? Leia com seu filho. O prazer da leitura é algo que passa de pai pra filho. Não delegue essa tarefa somente ao professor de Redação.

Pra você que está lendo esse texto e é adolescente, parabéns! Só o fato de voce tirar uns minutos pra ler essa coluna, já me diz muito sobre você.

Já você, adulto, leve, sem compromisso de filhos pequenos e sem ENEM no horizonte, exercite e desenvolva seu hábito de leitura. É a forma mais eficaz (única?) de combater estereótipos: o perigo da história única.

Em tempos de pandemia e quarentena, um bom livro é a melhor forma de viajar.




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