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COMPORTAMENTO

ALICE NO “PAÍS DA SERENIDADE E RAZÃO”

Convidamos a psicóloga Alice Pillar para nos contar como consegue manter a energia elevada e o sorriso contagiante mesmo diante de dias tão conturbados

Convidamos a psicóloga Alice Pillar para nos contar como consegue manter a energia elevada e o sorriso contagiante mesmo diante de dias tão conturbados

Por Marcelo Nascimento

Fotos Paula Brum
Beauty Jackson Alves
Vídeo Agência Kaya

Alice Pillar sempre foi uma mulher solar, radiante, que emana alegria e boas energias por onde passa ou chega. A formação em psicologia é algo que só veio a somar com seu DNA de empatia. Quando estávamos aqui quebrando a cabeça na migração da revista em papel pro digital, a gente queria que essa virada tivesse um “quê” de boas vibrações, mais ainda por conta da pandemia do coronavírus que já vem roubando a energia de muita gente. Queríamos um start, uma primeira edição, que só falasse de coisas muuuuuito boas, que evocasse superação, que animasse nosso leitor nesse momento conturbado. A ESTILO OFF sempre foi assim, positiva, mas pra fazer a virada de chave precisávamos ser ainda mais otimistas. E quem mais sintetizaria tamanho otimismo, alegria e boas vibrações do que Alice Pillar? Bingo! Ela é a nossa cover girl da nossa estreia no digital.

E fomos lá na casa da Alice, todos prezando pela segurança, para fotografar e gravar com essa mulher incrível. A gente queria que ela falasse do momento atual, das angústias das pessoas, dos movimentos negativos e positivos dos quais estamos passando com a pandemia. A gente queria ouvi-la falar sobre o comportamento humano neste momento e o mais importante, que ela nos trouxesse sua luz e serenidade como inspiração. Como ela consegue ser tão leve, mesmo diante de tantas perturbações cotidianas? Alice é tão humana como nós, mas consegue caminhar de forma mais serena e ainda transmitir isso para todos com os quais se encontra pelo caminho e é justamente isso que a torna tão especial.

O que você mais percebeu nas pessoas em relação a comportamento nesse período de quarentena?

São várias as transformações… No pensamento, nas reações… Afinal já temos vários dias de notícias variadas, algumas trágicas, e ficamos muitas vezes sem sabermos que caminho escolher. Acompanho e percebo pessoas que se apavoraram no começo e agora estão mais seguras, como se “a poeira está descendo”, e ao contrário também. O fato é que não sabemos o que ainda virá, e isso, pra quem pensava exercer controle sobre tudo, como muitos, é desconcertante!

Você consegue dividir perfis de pessoas que se destacam durante essa quarentena? Tipo: o paranoico, o hipocondríaco, o fatalista, o otimista, o cético, o tolo? Explica pra gente um pouco de cada um que você considere que exista.

Nós já vínhamos bastante perdidos, nos rotulando de ansiosos, hipocondríacos, pessimistas… Exatamente pelo que nós mesmos deixamos acontecer com a nossa espécie. Como escutei outro dia, em uma palestra deliciosa, “somos as únicas criaturas que temos noção de finitude”, daí tive a certeza do quanto nos perdemos a respeito do que queremos/devemos fazer com o tempo que temos, ou que imaginamos ter. Com esse pensamento fugíamos da realidade em muitos aspectos, nos ocupando de quase tudo que nos era apresentado; e durante a pandemia, muitos de nós não estamos colocando nem o pé pra fora de casa, daí como ficam todas as emoções? Vieram todas aquelas que estavam escondidas, não “embaixo do tapete”, mas bem no fundo do coração. Conheci pessoas, nesse momento, que nunca choraram suas perdas reais por estarem sempre protegendo alguém; como se a não demonstração de dor delas fosse minimizar a dor do outro (e isso não é raro).



Vários sinais de esgotamento do comportamento atual já estavam sendo mostrados antes da pandemia. O que você considera que mais mudou durante a quarentena?

A sensação que tenho é que a natureza nos colocou em confinamento no momento em que muitos de nós nos sentíamos soberanos!

Há muito mais fluxo e velocidade de informação hoje do que na época de outras pandemias. De que forma isso influencia o comportamento das pessoas em um cenário como esse? O efeito é mais positivo ou negativo?

Sempre me perguntam sobre as redes sociais, sobre a influência dela na nossa vida… Aí que acho engraçado!! Nos sentíamos superiores a tantos, mas ao mesmo tempo com uma necessidade enorme de seguir o que está ali exibido, compartilhado, deixando várias “celebridades”, “influenciadores digitais”(você já pesquisou o que isso significa? O que funciona pra você?) ditarem como devo me vestir, pensar e agir… Misericórdia!! Está na hora, ou melhor, passou da hora de evoluirmos como seres pensantes que somos; isso sim é uma dádiva!

Hoje me respeito tanto, que tomei posse de que nem todo mundo é bom, e de que muitos não me darão o amor que conheço exatamente porque não receberam. Ninguém tem condição de dar o que não recebeu; ou até recebeu, mas de forma bastante disfuncional…

Então vamos falar dessa exacerbação das redes sociais, da imagem perfeita, do corpo perfeito. Como isso impactava e como você vê isso agora diante do período da quarentena e principalmente, quando isso acabar?

Quem me conhece sabe do bloqueio que eu tinha em relação a redes sociais. Sempre pensei que isso me separava emocionalmente dos que amo. Nesse momento de quarentena, a princípio por uma demanda profissional, aderi aos instagram, e coloquei wi-fi em casa (só aceitava na clínica). Penso que o que me assustava eram exatamente aquelas pessoas que conheço que vivem como se o mundo e a personalidade se resumissem ali… O esmalte da semana, a cor do mês, o melhor lanche da cidade, a cor e o comprimento do cabelo… Ufa! Por favor, deixe cair a sua ficha de que você não vai conseguir ser você e mais alguém. Descubra o que lhe é importante. Você não precisa fazer curso de culinária, ou de inglês online nesse momento porque tem um monte de gente fazendo! Fique em paz! Somos criaturas diferentes; aceite! Aproveite pra cultivar coragem; nem sempre as oportunidades que temos de aprendermos a tomar nossas próprias decisões aparecem da forma mais bela.

Qual o paralelo que você faz da prisão que existe hoje da dependência das redes sociais e da prisão da quarentena?

Tenho percebido que, como aprendemos e repetimos que “o proibido é mais gostoso”, muitos estão se descobrindo curiosos com o que existe aqui fora, além do mundo virtual, e estão desejosos pra novas conquistas. Com isso, em muitos vem surgindo um enorme desejo de liberdade!!!!!! Uhu!!

Muito se fala numa geração de jovens ansiosos, angustiados. Como você vê isso?

Nesse momento, penso que não estamos em condição de pensarmos ou julgarmos por idade… Estamos todos assustados, inseguros, temerosos… Claro que uns muito mais do que outros, mas tudo o que é novo na vida, costuma assustar. É exatamente aí que peço para que cada um volte ao seu interior; se vasculhe, descubra bem aí dentro o que vem lhe fazendo falta, ou o que está lhe perturbando mais nesse momento, e o que quer eliminar da sua bagagem… Nós temos nossas respostas, bem lá no fundo! Tudo passa a ser disfuncional quando nos limita, quando nos tira a alegria, quando nos tira a paz, e nos faz irracionais; e quando a nossa mente nos é roubada, ela pode ser destrutiva, exatamente por perdermos nossa essência, fugindo do nosso interior.

Conheci pessoas, nesse momento, que nunca choraram suas perdas reais por estarem sempre protegendo alguém; como se a não demonstração de dor delas fosse minimizar a dor do outro (e isso não é raro).



Como você acredita que iremos encarar o pós pandemia?

Penso que precisamos, antes do recomeço, assumir nossos sentimentos mais do que humanos: medo, raiva, angústia, revolta… Mas também muita coragem, resiliência, força, autonomia… Somos presenteados com muitas possibilidades, todos os dias, mas sem pressão!

Grande parte dos idosos já vive sozinha, muitos com quadros de depressão. O que poderia ser feito por eles e pelos mais jovens para diminuir esses efeitos?

Lembrei da música do Renato Russo: “nos deram espelhos, e vimos um mundo doente…”. Peço que você faça um exercício de se olhar no espelho agora; o que você vê? Com qual lente consegue se ver, e ao mundo também? Será real ou será aquela que você escolheu reproduzir? Pense, depois me diga. Será segredo nosso. Não desejamos ficar agarrados lá atrás, principalmente no que não deu certo aos seus olhos, mas precisamos ir lá, com todo carinho, “cicatrizarmos” as feridas abertas pra estarmos preparados para os próximos desafios…

Nós temos nossas respostas, bem lá no fundo! Tudo passa a ser disfuncional quando nos limita, quando nos tira a alegria, quando nos tira a paz, e nos faz irracionais; e quando a nossa mente nos é roubada, ela pode ser destrutiva, exatamente por perdermos nossa essência, fugindo do nosso interior.

Qual é o maior fator de angústia e ansiedade nos dias de hoje e que foi alterado com a pandemia?

Voltando à ansiedade, você sabia que é ela que nos tira do sofá? É, ela é o contrário da inércia! Então, façamos, independente da idade, as pazes com nossa história rápido, mesmo naqueles momentos que julgamos termos feito a escolha errada; afinal, não poderemos voltar a ser como éramos, como estávamos vivendo. O “normal” estava doente!

 Você acredita que medo e coragem andam juntos? E qual a relação que você faz com determinadas pessoas nos dias de hoje?

Assumo a vocês: as relações humanas muito me interessam, por isso estou aqui. E, aos meus 51 anos de vida, mesmo com minhas dores, perdas, não conquistas, decepções, sigo de cabeça erguida; com uma fé em Deus que não cabe no meu peito, daí com uma certeza de que nada nos acontece por acaso, e que só cresceremos se encararmos os fatos, se nos vermos a nós mesmos (pra daí conseguirmos enxergar o próximo). Os medos virão, a todos, daí precisamos resgatar a coragem que existe em todos nós…

Você acredita que existe algum ponto positivo nesse momento? O que podemos aprender sobre nós mesmos?

Consigo ver o lado positivo sempre; pra mim nada é por acaso, mesmo que doa muito. O lado positivo é exatamente essa “parada” forçada, para termos a chance de recomeçarmos mais belos, mais plenos, mais seguros conosco mesmos.

Eu queria que, olhando pela situação atual que estamos vivendo, que você falasse da zona de conforto e explicasse como ela é perigosa.

A zona de conforto, pra mim, é o que vinha sendo de mais arriscado à nossa espécie. Estávamos nos escondendo atrás de desculpas que nós mesmos criávamos, nos imaginando confortáveis, seguros, mas no fundo com medo de viver. E o pior é que sempre sabemos disso, por isso ficamos tão mal.

E o que te faz leve assim? Quem é a Alice de verdade?

Primeiro que “tomei posse” da leveza e da luz, afinal tenho escutado muito isso ultimamente e não costumo ignorar o que vem pra mim; claro que filtro, e trago pra minha essência o que me faz crescer como ser humano que aprendeu a amar e ser amada (meus pais sempre amaram e amam demais a todos que cruzam seus caminhos), e mesmo com as “derrotas”, ninguém conseguiu roubar o tanto de amor que tenho pra dar. E quanto mais amadureço (isso independe da idade; vem do querer), mais meu coração se enche de coisas boas. Quero continuar crescendo assim. Ah, mas já fui “bobinha”; por me doar tanto, sempre existem os que não entendem ou fingem não entender, e já fui machucada demais. Mas nunca fugi. Hoje me respeito tanto, que tomei posse de que nem todo mundo é bom, e de que muitos não me darão o amor que conheço exatamente porque não receberam. Ninguém tem condição de dar o que não recebeu; ou até recebeu, mas de forma bastante disfuncional…

Voltando à ansiedade, você sabia que é ela que nos tira do sofá? É, ela é o contrário da inércia! Então, façamos, independente da idade, as pazes com nossa história rápido, mesmo naqueles momentos que julgamos termos feito a escolha errada; afinal, não poderemos voltar a ser como éramos, como estávamos vivendo. O “normal” estava doente!

O que são os presentes de verdade que a vida nos dá e muita gente segue apenas interpretando como clichê? E dentro desses quais os que mais fazem parte verdadeiramente do seu dia a dia?

Os presentes que nos são dados, as dádivas, são diárias, são a cada momento… Você já parou pra pensar nos livramentos, em quantas coisas graves e sérias podem nos acontecer? Pois é, é exatamente esse o exercício. Não estávamos conseguindo parar nem pra sermos gratos. Trabalho a cada minuto com a Gratidão!

O que é o verdadeiro luxo pra você?

Esse é o verdadeiro luxo pra mim: Não me sinto confinada porque minha mente tem sido uma grande amiga. Quero carregar a minha bagagem, sempre atenta a quem deseja a minha ajuda, mas sem carregar a bagagem de ninguém; precisamos aprender a caminhar com as próprias pernas. Isso nos dá uma força incrível, experimente! E quando essa quarentena passar, espero que nos olhemos e nos toquemos de forma diferente; com gratidão e maturidade dignas de quem já tem mil motivos pra crescer, pra olhar o outro como semelhante, mesmo aparentemente diferente. Que não saiamos dessa mais ansiosos e desesperados, mas conscientes de nosso papel como seres humanos nesse universo de surpresas, dores, delícias… Com o organismo limpo e a alma leve, para que sigamos praticando o amor e a paz. Comemoremos a dádiva que é viver!



Quando isso tudo acabar, quais serão as três coisas que você irá fazer imediatamente?

Com certeza curtir meus pais e meus familiares; os amo demais pra não estarmos mais próximos. Eles merecem o amor que tenho pra dar, e eu também. Desejo abrir minha casa para meus amigos; eu estava tão ausente dela que nem conseguia usufruir dessa bênção. Em terceiro, e nem um pouco menos importante, fazer de tudo pela liberdade de ser e pela felicidade em existir, até quando nosso Deus quiser.

A zona de conforto, pra mim, é o que vinha sendo de mais arriscado à nossa espécie. Estávamos nos escondendo atrás de desculpas que nós mesmos criávamos, nos imaginando confortáveis, seguros, mas no fundo com medo de viver. E o pior é que sempre sabemos disso, por isso ficamos tão mal.

Alice veste Vivará e joias Ana Couto Joias

@alicepillarbedim

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