Informações de contato

Rua Dimpina Pereira Schwartz, 186
Bairro: Governador Roberto Silveira, Itaperuna-RJ

Estamos prontos para te atender
COMPORTAMENTO

A MULHER NO SÉCULO XXI

Há tempos vimos abordando as questões do feminismo e das mulheres de forma geral tentando elucidar questões que permeiam o cotidiano da mulher no século XXI.

Por que precisamos abordar estes temas? Por que não é simplesmente natural ser mulher e pronto? Por que há uma lei específica para “proteção das mulheres”? Por que (alguns dizem isso!) é preciso proteger as mulheres de algozes que vem de toda parte?

É muito importante adentrar em um contexto histórico que como cita Bordieu em seu livro A dominação masculina, porque “ as normas pelas quais as mulheres são medidas, nada têm de universais e tudo aquilo que a universalidade aparente do dominante deve à sua relação com o dominado – no caso, tudo o que diz respeito à virilidade – inscreve na definição universal do ser humano propriedades históricas do homem viril, construído em oposição às mulheres”.

Infelizmente por questões sociais, religiosas e por questões confortáveis ao masculino, as mulheres do século XXI receberam um legado de subordinação, de pertencimento a um dominante (hoje, podemos dizer homens ou mulheres devido às diferenças de identidades sexuais), de comportamentos socialmente aceitáveis que culminam na escravização, no mercado de trabalho opressor e hierarquicamente masculino e com remunerações bem diferentes para ambos, com dificuldades relacionais que podem culminar em relações abusivas, tóxicas e fatais e por muitas outras questões.

Por estas e tantas outras questões, a situação da mulher ainda precisa ser discutida, debatida, abordada, repensada, transformada.

Responde para mim, ou para você mesma (o), quantas vezes você se sentiu agredida ou ofendida simplesmente por ser mulher? Quantas coisas simples, são muito mais complexas para você, como mulher do que para um homem, pelo simples fato de ser mulher e não ser assim considerada apta a lidar com questões que com sua inteligência e competência faria até melhor?

Por que mesmo as mulheres casadas, devidamente “abençoadas” ainda são estupradas pelos seus maridos que consideram ainda que é dever da mulher “servir” a seus desejos independente do que ela esteja sentindo?

Por estas questões acima, ainda é necessário explicar e até desenhar para quem quiser entender, que existe uma lei específica para mulheres, porque elas ainda são tratadas como objeto de posse. São propriedade da virilidade masculina. Do poder e da força masculina.

Atualmente, por causa da luta incessante de inúmeras mulheres que lutam para dar visibilidade a estes processos discriminatórios e desumanos, a situação está mudando. Já vemos mulheres em altos cargos em qualquer esfera de trabalho, já é possível ver o avanço feminino nas atividades intelectuais, laborativas e científicas, mas não sem muitas vezes perceber o deboche, a ironia, a comparação e a crítica: “só podia ser mulher!”

Aquela que fora conduzida aos templos religiosos para celebrar o seu “enterro” feminino casando-se com aqueles que escolheram para ela, aquela que foi tratada como parideira e cuja obrigação ( e até hoje mesmo subliminarmente ainda permanece) é parir um “filho homem” para que o marido possa ter a sua linhagem masculina garantida, e se por algum infortúnio não pudesse ser mãe ou não conseguisse a façanha de gerar um pequeno homem quantas vezes foi subordinada e escravizada, sendo obrigada a ouvir impropérios, ofensas, amarguradamente tratada por não ser suficientemente boa para parir, hoje começa a compreender seu papel e sua importância.

Hoje (força de expressão, porque o feminismo vem lutando pela igualdade de Direitos há tempos), as mulheres começaram a dizer NÃO.

Não a subordinação indiscriminada e opressora. Não a proibição do prazer. Não a proibição de crescer e ser o que nasceu para ser. Não aos relacionamentos abusivos e agressivos. Não ao descabido julgamento de que ao homem tudo e à mulher a casa. Não o absurdo da castração feminina que mais que qualquer coisa é psicológica. E por isso estão sendo mortas. Não pelas fogueiras ( por enquanto!), mas com facadas, tiros e outras…

A mulher do Século XXI é você que está lendo este artigo e que não só pode, como deve repensar suas relações, sua relação com o poder e a manipulação da sua essência.

Este artigo é para todas nós, para que tenhamos a clareza que essa manipulação e esta castração psicológica e muitas vezes física tem por traz um caráter punitivo, político e muito claramente intencionado a manter as mulheres amordaçadas e queimar as insubordinadas. Aquelas que falam. Que pensam. Que vão à frente de seu tempo buscando alternativas para sua sobrevivência.

Para encerrar, gosto muito de uma frase de quem inclusive desconheço autoria, mas quero compartilhar com vocês: “joguem-me aos lobos e voltarei liderando a matilha!”. Esta é em essência, a nossa força. Podemos, queremos e conseguiremos. Vamos vencer. Não conseguirão nos matar. Chega de feminicídios e mortes em vida em pleno século XXI.

Compartilhe este artigo com alguma mulher que precisa abrir os olhos e reconhecer sua força.

Saudações feministas.
Débora Rosa

 

 

 

 




Débora é Psicóloga/Psicanalista e toda semana vem dialogar aqui sobre o poder da mulher.

Por mais versões de uma história

Dúvidas na adolescência